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Publicação: Bárbara Oliveira 15-07-2010 - 11:18:11
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Assunto: Música
O bolachão está de volta
Bárbara Oliveira

Golias com vinil de Paul McCartney
  Golias com vinil de Paul McCartney
 

Na vitrola o som de Elvis Presley, Beatles, Frank Sinatra, Michael Jackson, Roberto Carlos e muitos outros. Parece mesmo um antigo ritual. Mas engana-se quem pensa que o velho bolachão está esquecido. Em meio à portabilidade musical proporcionada pelos iPods e MP3s, o vinil volta às paradas de sucesso e reacende a paixão dos seus antigos admiradores.

Valter Vieira da Silva, o Golias, trabalha com a venda de discos há 45 anos e revela que a volta do LP, ainda modesta no Brasil, já é uma realidade na Europa. “Está voltando tudo: as agulhas, a aparelhagem... A Record está com a propaganda de uma aparelhagem que toca LP, CD, DVD e fita cassete. A volta do vinil lá fora – Europa, EUA, Japão – já é uma realidade. Aqui já tem algumas bandas brasileiras chegando com disco novo em São Paulo. Só que muito caro. Fica na média de 120 e 130 reais”, disse ele.

Segundo Golias, as gravações também estão de volta, com a reabertura da Polysom em São Paulo, e com a EMI e Sonny a um passo de aderir à volta dos bolachões. “Li recentemente uma matéria nos EUA sobre os 50 anos do Roberto Carlos, dizendo que a Sony vai lançar a coleção inteira do Roberto só em LP. Isso para mim é surpreendente”, relata o comerciante.

Ele explica por que muitas pessoas preferem o velho disco ao CD e ao MP3. “No LP você tem o grave, o agudo e o ruído. No CD você tem pureza. Então quando eles pegam o disco e transformam em CD eles sugam um pouco das características originais. O CD e o Mp3 ficam com um som mais limpo, mais puro e o LP não perde o grave e o ruído, que você jamais esquece. E a capa que é um encanto, parece um quadro. O CD não, a capa é pequenininha, a letra também, e nem todo mundo gosta. Sem contar que se você tiver carinho com o disco, ele dura 100, 200 anos”, esclarece Golias.

A pirataria contribuiu de forma relevante para o renascimento do vinil. Ernani Vichi trabalha com a venda de LPs há cinco anos e acredita que o disco, por ser antigo, não sofre com a pirataria, tão comum nos dias de hoje. A opinião de Golias não é diferente: “O CD está perdendo credibilidade, e a pirataria contribuiu muito pra isso”. Ele, porém, não considera como pirataria o ato de baixar músicas da internet. “Trata-se de uma liberdade mundial. A única coisa que me dá pena é as crianças e os adolescentes com MP3 o tempo todo no ouvido. Isso pode trazer um problema auditivo no futuro”, alerta Golias.

De volta à Avenida Jerônimo Monteiro (próximo ao Mercado Capixaba) desde o mês passado, Golias está feliz com o renascimento do vinil. “O que eu mais queria na vida era a volta do LP, então tem hora que eu não acredito ainda nisso tudo que está acontecendo. E agora essa felicidade de estar de volta à Capixaba, eu que fiquei 28 anos ali do outro lado da rua...”, comenta ele.

Sem saber ao certo quantos discos tem em sua loja, Golias se orgulha de ter clientes de todas as idades. “Nunca parei pra contar. Essa coisa da quantidade não me enriquece em nada. Devido a esses 45 anos envolvidos com vinil, a minha felicidade é que hoje vem o pai com o filho comprar discos na minha loja. Essa gratidão que eu tenho com o povo capixaba, pelo carinho que sempre teve com o Golias, que não tem dinheiro no mundo que pague”, assegura ele.

Com imensa variedade musical, a loja oferece LPs de todos os preços: de um a 200 reais. De acordo com ele, os vinis mais caros são os álbuns duplos. “A maioria dos discos da loja são vendidos a um, cinco e 10 reais. Os mais caros são álbuns, em sua maioria duplo, de bandas como Ozzy Osbourne, Rolling Stones, Elvis, Frank Sinatra, Beatles e Pink Floyd”, completa Golias.

Clássicos

Ele não gosta de falar em raridade, mas revela que, em mais de quatro décadas de trabalho com vinil, a imensa procura por clássicos da música ainda o surpreende. “Nesses anos envolvidos com disco o que me surpreende muito até hoje é a procura por Elvis Presley, Roberto Carlos e Beatles. Isso me deixa um pouco apavorado, porque cada dia que passa parece que as pessoas querem mais o Elvis, o Roberto. Tanto é que no ano passado o Elvis estava em primeiro lugar de vendas do mundo. A RCA está sobrevivendo ainda da venda dos discos do Elvis Presley”, finaliza Golias.


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